Toda proposta de fabricação de cosmético chega com uma dúzia de siglas dentro. Quem já está no setor há tempo esquece que elas não são óbvias — e quem está montando a primeira marca acaba assinando um contrato que entendeu pela metade.

Este glossário reúne os termos que aparecem com mais frequência nas nossas conversas, explicados como são usados na prática no Brasil. Onde o termo tem uma página inteira dedicada a ele no site, o link está na definição.

Termos

Private label
Produto fabricado por uma empresa e vendido sob a marca de outra. É o modelo de quase tudo que fazemos: o nome no rótulo é o da marca cliente, e o laboratório não aparece. Descreve a relação comercial — não diz de quem partiu a fórmula, que é o que separa OEM de ODM.
OEMOriginal Equipment Manufacturer
O fabricante produz uma fórmula que o cliente traz pronta. A formulação é do cliente e continua sendo dele; o que se contrata é capacidade produtiva, adequação ao processo e estrutura regulatória. No nosso modelo “fórmula sua”, é exatamente isso.
ODMOriginal Design Manufacturer
O fabricante desenvolve a fórmula e o cliente a leva sob a sua marca. É o modelo da maioria dos projetos aqui — partimos de uma base validada, ou do zero, e o desenvolvimento acontece no nosso laboratório. Quem contrata ODM está comprando P&D, não só produção.
Terceirização
No vocabulário da indústria brasileira, contratar outra planta para produzir no seu lugar — total ou parcialmente. Não é sinônimo de private label: quem terceiriza costuma já ser fabricante e busca um formato ou capacidade que não tem internamente.
Granel
A massa do produto pronta, antes de ir para a embalagem final — o creme no tanque, não o pote. Comprar granel significa receber o produto formulado e envasar por conta própria; fornecer granel significa trazer a massa pronta para que outra planta envase.
Envase
A etapa que transfere o granel para a embalagem final, com rotulagem e acabamento. É o gargalo mais comum de quem já formula bem: a fórmula existe, o equipamento de envase daquele formato é que não.
MOQMinimum Order Quantity
Pedido mínimo. Aqui é de 20 kg por SKU para produtos por peso e, nos formatos contados por peça, a partir de 500 unidades para bastão e 800 para pó compacto — o número de peças depende da embalagem especificada, que é o que determina quanto produto cabe em cada uma. O mínimo é por fórmula: um lote de 20 kg é uma fórmula só, não fracionada entre produtos diferentes.
SKUStock Keeping Unit
Cada item distinto do portfólio. Importa no orçamento porque o mínimo se aplica a cada um: uma cartela de seis tons de base é seis SKUs, com seis mínimos e seis regularizações — não um produto com seis variações.
Fórmula base
Formulação já validada quanto a estabilidade, sensorial e compatibilidade entre componentes, usada como ponto de partida e personalizada para o projeto — ativos, fragrância, textura, cor e claims. Encurta o desenvolvimento porque o núcleo técnico já está resolvido. Ver modelos de desenvolvimento.
Grau 1 e grau 2
A classificação de risco de um cosmético na Anvisa. Grau 2 reúne os produtos com risco potencial maior, que exigem comprovação de segurança e eficácia mais robusta. Grau 2 não significa registro obrigatório — é a confusão mais comum do setor. O que define o rito é a lista do art. 34 da RDC 907/2024, não o grau.
Comunicação prévia
O rito de entrada dos produtos isentos de registro, feito pelo Solicita: a maioria dos cosméticos. Em poucos dias o produto pode ser comercializado. Isento de registro não é isento de obrigação — o dossiê de informações do produto e a conformidade de rotulagem continuam sendo do titular. Ver o guia da Anvisa.
Sujeito a registro
Os nove grupos de produtos listados no art. 34 da RDC 907/2024 — entre eles protetor solar e protetor solar infantil. Exigem dossiê técnico completo, análise prévia da Anvisa e publicação no Diário Oficial antes de qualquer venda. O registro vale dez anos, revalidável.
Titular
A empresa em nome de quem o produto é regularizado perante a Anvisa, e sobre quem recaem as obrigações regulatórias — dossiê, rotulagem, resposta à fiscalização. Nem sempre é quem fabrica. Definir a titularidade é uma das primeiras decisões de um projeto, não um detalhe de contrato.
AFEAutorização de Funcionamento de Empresa
A autorização que a Anvisa concede à empresa para a classe de produtos que ela fabrica. Existe antes de qualquer produto: sem AFE e licença sanitária, não há notificação nem registro a fazer.
BPFBoas Práticas de Fabricação
O conjunto de requisitos de processo, instalação, documentação e controle que a Anvisa verifica em inspeção. É o que sustenta a repetibilidade entre lotes — a diferença entre um produto que sai igual todas as vezes e um que sai parecido.
CoACertificado de Análise
O documento que acompanha cada lote produzido, com os resultados das análises daquele lote específico. É o que o controle de qualidade do cliente usa para liberar o produto e o que se apresenta numa auditoria. Ver o que entregamos por lote.
FISPQFicha de Informações de Segurança de Produto Químico
O documento de segurança que acompanha matérias-primas e produtos químicos, com composição, riscos e procedimentos de manuseio, armazenamento e emergência. Exigência de quem recebe insumo, não só de quem o produz.
Teste de estabilidade
O estudo que verifica se a fórmula se mantém íntegra — aspecto, cor, odor, pH, viscosidade — ao longo do tempo e sob diferentes condições. Antecede qualquer lançamento e é o que define prazo de validade e escolha de embalagem.
FPSFator de Proteção Solar
O índice de proteção contra radiação UVB. É um claim comprovado, não declarado: depende de base testada e de documentação que sustente o número no rótulo. Mantemos bases próprias de bastão e BB cream com estudos de FPS 50.
Clean beauty
Termo de mercado, sem definição regulatória única, para formulações que excluem determinadas famílias de ingredientes. Como não há padrão, o que vale é a lista de exclusões acordada no briefing — e a capacidade de sustentar cada afirmação do rótulo. Ver cosméticos naturais e veganos.
NDANon-Disclosure Agreement
O acordo de confidencialidade. Aqui ele é assinado antes do briefing, não depois da proposta: nenhum detalhe técnico é trocado sem ele.

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